Por: Rui Moura Pinto
09/12/2008
Durante três anos, eu e uma pequena minoria reclamámos pelo facto de o bar do Complexo Pedagógico da UTAD não ter jornal.
Eu pessoalmente cheguei a reclamar tanto, que a senhora do bar pôs um ponto final na reclamação. “O patrão é que manda. O patrão não quer”. Eu sou bom a reclamar, mas se patrão manda e patrão não quer, nem o melhor reclamador do mundo pode fazer nada.
Não reclamei mais.
De facto o bar do Complexo era a excepção, tanto quanto me pareceu. O engenharias 1 tinha vários jornais. O CIFOP tinha sempre dois jornais. Mas o curso de jornalismo funcionava no Complexo. Cheguei a pensar que o ditado popular obedecia a vários critérios de cientificidade… “casa de ferreiro, espeto de pau”.
No meu quarto ano de Complexo vi o Público no bar. “Isto passou do oito para o oitenta”, pensei. Vim a saber que a senhora com quem eu reclamava tinha ascendido a patroa. Fizemos progressos.
Passado algum tempo, numa das minhas idas ao bar, o Público desaparecera. A patroa disse que o tinha comprado. Passados uns dias, li o público de manhã no bar, mas duas horas depois já andava alguém a queixar-se que este desaparecera. Estas e outras formas de ausência registaram-se mais três ou quatro vezes. Quem foi o raptor? Um extraterrestre? O governo? …
Ainda hoje de manhã se registou mais um desaparecimento. A patroa disse-me que assim vale mais não comprar.

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