Por: Cristina Valente
7/01/2009
Aonde quer que vamos há sempre alguma a piscar-nos o olho. Seja no cabeleireiro, no café, no supermercado, estão em todo o lado. E o pior é que a maioria da população já não vive sem elas, as famosas revistas cor-de-rosa. Não vale a pena negar com “ ai tal até não ligo nada a isso e não tenho tempo para ler ”, não pega. Tenhamos ou não, arranjamos sempre tempo de ler uma ou outra, porque por mais que tentemos resistir, não conseguimos.
Há sempre alguma notícia mais badalada que nos impulsiona à descoberta da sua origem. Glamour, casamentos, divórcios, traições, tudo isto são acontecimentos que dão azo a muitos mexericos, e, principalmente especulações. O povo português adora novelas, e nada melhor do que passar o tempo a ler sobre as novelas dos outros. Nós somos curiosos, admitimos, gostamos de uma bom mexerico, mas as “senhoras” cor-de-rosa existem para atiçar o nosso voyeurismo. Usam e abusam de estratagemas inteligentes para nos aliciarem e prenderem ao seu consumismo. Algumas até nos presenteiam com brindes, estratégia muito bem conseguida para fazer face á concorrência, sim, porque neste mundo a concorrência é feroz. O mexerico pode ser muito bom, e até podemos dar uma espreitadela, mas se outra revista vier com um brinde, então a outra fica à espera de um curioso para se entreter.
Devido à sua grande influência junto das massas, algumas figuras públicas usam este poder em seu proveito, umas para se autopromoverem, outras para defenderem os seus interesses. Estas revistas alcançaram um sucesso tal, que até os políticos, conscientes do seu poder, já aparecem nos eventos, sozinhos ou acompanhados, estão lá para dar o seu charme. Claro está que, se aperceberam que se aparecerem nestas revistas, atingem um alvo diferente daqueles que atingiam se aparecessem nos jornais ditos sérios. Exemplo disso é o Pedro Santana Lopes, que é mais conhecido por ser um “habitué” das noites portuguesas, do que propriamente como deputado e antigo primeiro-ministro.
E porque motivo as chamam de cor-de-rosa? Para começar, o cor-de-rosa é uma cor bonita, feminina, sensual, a cor do fantástico, do conto de fadas. Não é em vão que quando temos um bom sonho, dizemos que tivemos um sonho cor-de-rosa. Ora, estas revistas, transportam-nos para esse mundo ideal, onde tudo é bonito e perfeito, e quando não o é, mostram-no na mesma, porque o que interessa é vender, independentemente de ser bonito ou feio. No entanto, esse cor-de-rosa, por vezes muda de cor, começa a ficar mais para o rosa choque. O facto de nem sempre a imprensa reflectir a veracidade ou a realidade dos acontecimentos e a invasão da privacidade que tantas figuras públicas se queixam, são exemplo desse lado mais escuro. Portanto, chamar-lhes cor-de-rosa, até um certo ponto têm razão, mas por outro lado, de rosa não têm nada.
Contudo, a imprensa cor-de-rosa ganhou o seu estatuto dentro da nossa sociedade. O seu poder tanto pode fazer nascer uma estrela, como no outro dia faze-la desaparecer. A fama, nestas revistas, é uma coisa relativa. Mas, por mais que digam mentiras e inventem acontecimentos, o púbico gosta. Sempre dá para esquecer que estamos em crise e em recessão económica!